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Levantamento do Ministério da Justiça mostra que apostas superaram jogo do bicho no Brasil
qui 27 mar/25

Levantamento do Ministério da Justiça mostra que apostas superaram jogo do bicho no Brasil


As apostas esportivas online se tornaram mais populares do que o tradicional jogo do bicho no Brasil. Segundo um levantamento encomendado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), e divulgado recentemente pelo jornal Estadão, os sites de apostas já são utilizados por 32,1% dos brasileiros, enquanto o jogo do bicho aparece com 28,9%. A modalidade mais comum, no entanto, continua sendo a loteria, praticada por 71,3% dos apostadores.

A pesquisa, realizada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), faz parte do Levantamento de Álcool e Drogas (Lenad) e traz, pela primeira vez, informações detalhadas sobre o vício em jogos de apostas no país. O estudo abrangeu 16 mil pessoas com idade a partir de 14 anos e revelou que 38,6% dos apostadores apresentam algum grau de risco ou transtorno relacionado ao jogo compulsivo. Entre adolescentes de 14 a 17 anos, esse percentual sobe para alarmantes 55,2%.

A facilidade de acesso às apostas online e a intensa publicidade do setor são apontadas como fatores que contribuem para o aumento do número de apostadores, especialmente entre os mais jovens. Especialistas alertam que o cérebro dos adolescentes ainda está em desenvolvimento, o que os torna mais propensos a comportamentos impulsivos e compulsivos. Além disso, o estudo revelou que 22,4% dos apostadores tentam recuperar perdas com novas apostas e 14,8% admitem ter apostado mais do que podiam perder.

Os impactos na saúde também são motivo de preocupação. Cerca de 9,2% dos entrevistados relataram sintomas como estresse e ansiedade relacionados ao hábito de apostar. A relação entre renda e dependência também ficou evidente: 52,8% dos apostadores que ganham menos de um salário mínimo apresentam comportamento de risco, enquanto entre os que recebem acima desse valor o índice cai para 21,1%.

Diante desse cenário, o governo federal tem buscado formas de melhorar a regulamentação do setor. Em 2023, foi sancionada a lei que regulamenta as apostas esportivas no país, e em dezembro de 2024 foi divulgada a lista de plataformas autorizadas a operar legalmente. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, afirmou que o crescimento das bets é uma preocupação direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que determinou a atuação de diversos ministérios na busca por soluções para minimizar os impactos negativos das apostas online.

Especialistas defendem medidas mais rígidas para restringir a publicidade das casas de apostas, especialmente em canais acessíveis ao público jovem. Além disso, recomendam que pais e responsáveis fiquem atentos a mudanças de comportamento nos adolescentes, como interesse repentino por dinheiro, aumento no tempo dedicado a jogos online e tentativas de justificar tudo com uma lógica de apostas.

A ascensão das bets no Brasil reflete uma tendência global. Segundo um estudo publicado na revista científica The Lancet Public Health, cerca de 448,7 milhões de pessoas no mundo apresentam algum grau de risco relacionado ao jogo. No Brasil, o desafio agora é equilibrar a regulamentação do setor com a necessidade de proteção dos grupos mais vulneráveis aos efeitos da compulsão pelo jogo.

Compreensão de público

O levantamento que aponta o crescimento das apostas esportivas no Brasil é, sem dúvida, relevante. Conhecer o perfil do público apostador permite entender melhor os impactos sociais desse mercado e, mais do que isso, embasar políticas públicas que ajudem a mitigar riscos, principalmente entre os mais vulneráveis. No entanto, há um ponto que não pode ser ignorado: já sabíamos, antes mesmo da regulamentação, como essa indústria funciona.

A explosão das apostas online no país não foi uma surpresa. A publicidade agressiva, as promessas de dinheiro fácil e a gamificação do ato de apostar são práticas que já estavam em curso muito antes da regulamentação. A diferença agora é que temos dados concretos sobre esse fenômeno, o que pode – e deve – contribuir para uma regulamentação mais equilibrada.

Mas aqui está o risco: será que esses levantamentos, por mais importantes que sejam, não acabarão servindo de justificativa para medidas desproporcionais e desconectadas da realidade? O mercado regulado brasileiro ainda está nos primeiros passos, e qualquer decisão apressada pode mais atrapalhar do que ajudar.

O desafio é grande. É preciso encontrar o meio-termo entre coibir abusos e permitir que o setor se desenvolva de forma saudável. Sinceramente, espero de verdade que os dados sejam usados com responsabilidade, e não como muleta técnica para medidas que, no fim das contas, só complicam ainda mais o cenário. E esse tipo de medida sem pé nem cabeça já circula com muita força nos bastidores políticos de Brasília.

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