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Brasil e Arábia Saudita estreitam laços para impulsionar mercado de eSports
sex 04 abr/25

Brasil e Arábia Saudita estreitam laços para impulsionar mercado de eSports


Em busca de novas parcerias estratégicas no universo dos esportes eletrônicos, o ministro do Esporte do Brasil, André Fufuca, reuniu-se com o embaixador da Arábia Saudita, Faisal Ghulam, nesta semana. O encontro, realizado em Brasília, teve como foco principal o fortalecimento da cooperação entre os dois países no segmento de eSports, uma indústria em plena expansão global. Durante a reunião, foram discutidas oportunidades de intercâmbio e desenvolvimento conjunto, com ênfase na criação de políticas públicas e alianças que possam beneficiar ambas as nações.

O Brasil, maior mercado de esportes eletrônicos da América Latina, figura entre os líderes mundiais no setor, ocupando o 10º lugar em consumo de games e a 5ª posição em jogos mobile. André Fufuca destacou o avanço da modalidade no cenário nacional. “Pela primeira vez, temos uma diretoria específica para eSports, reconhecida oficialmente como esporte. O Comitê Olímpico Internacional também reconheceu essa modalidade, anunciando os Jogos Olímpicos de eSports, confirmando nossa decisão”, afirmou o ministro.

A diretoria mencionada foi criada em 2024 e integra a Secretaria Nacional de Apostas Esportivas e Desenvolvimento Econômico Esportivo. Entre suas atribuições estão o planejamento de políticas voltadas ao setor e a articulação de parcerias com instituições públicas e privadas. Por sua vez, Faisal Ghulam demonstrou interesse em intensificar o relacionamento com o Brasil na área esportiva. “Temos um relacionamento histórico com o Brasil e queremos ampliar essa parceria esportiva. Há muitos atletas e treinadores brasileiros em nosso país, e estamos prontos para fortalecer essa cooperação”, declarou o embaixador árabe.

Investimento

A Arábia Saudita tem investido fortemente no esporte como vetor de desenvolvimento. Desde 2015, o número de federações esportivas no país triplicou. Atualmente, entre 5% e 10% do PIB saudita é destinado ao setor esportivo. O país também vem se consolidando como sede de grandes eventos, com mais de 100 competições internacionais organizadas recentemente, incluindo modalidades como futebol, automobilismo e, claro, eSports. Com o compromisso de sediar a Copa do Mundo de eSports em agosto de 2025 e os Jogos Olímpicos de eSports em 2027, a Arábia Saudita tenta se posicionar como um dos principais protagonistas na transformação do esporte digital em plataforma global.

Opinião

Não é surpresa ver a Arábia Saudita se aproximando do Brasil para estreitar laços no mercado de eSports — na verdade, é quase uma peça previsível dentro de um quebra-cabeça maior. A movimentação saudita no mundo esportivo já vem sendo desenhada há algum tempo: o financiamento pesado da liga local de futebol, a contratação de estrelas globais como Cristiano Ronaldo, e a ambição de sediar uma Copa do Mundo em breve mostram que o país quer, de fato, estar no centro do mapa esportivo internacional.

E é justamente por isso que o interesse pelos eSports faz tanto sentido. Trata-se de um mercado jovem, pulsante, com enorme alcance global — especialmente entre as novas gerações. Investir nessa área é, ao mesmo tempo, uma jogada de projeção de imagem e uma tentativa de reescrever narrativas. Muitos enxergam esses movimentos como uma tentativa da Arábia Saudita de suavizar sua imagem polêmica perante o mundo. E honestamente? Há coerência nisso. Os esportes — e em especial os eSports — são ferramentas poderosas de influência cultural. Uma geração que cresce vendo a Arábia como palco de grandes eventos pode, aos poucos, associar o país a inovação, juventude e competitividade, e não apenas às questões controversas do passado e do presente.

Do lado brasileiro, chama atenção a mudança de postura no Ministério do Esporte. A gestão de André Fufuca, apesar de também acumular suas polêmicas, marca um contraste importante com a de Ana Moser, que chegou a afirmar que eSports não deveriam ser considerados esporte — algo que gerou forte reação de comunidades e especialistas. Agora, com uma diretoria específica e reconhecimento oficial, o Brasil parece mais alinhado com as tendências globais e preparado para aproveitar o potencial do setor. No fim das contas, essa aproximação entre Brasil e Arábia Saudita é mais do que diplomacia esportiva: é um reflexo de como o esporte, em suas múltiplas formas, está sendo usado como ferramenta de influência, reposicionamento e construção de imagem.

Sérgio Ricardo Jr

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