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Igrejas se unem contra a regulamentação das apostas esportivas
qui 03 fev/22

Igrejas se unem contra a regulamentação das apostas esportivas


Em nota divulgada na última terça-feira, 1 de fevereiro, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ligada à Igreja Católica, publicou uma nota de repúdio contra a legalização das apostas e dos jogos no Brasil. No teor da nota, a presidência da CNBB reiterou a sua “inegociável posição” em relação à pauta que vem sendo discutida no Congresso Nacional.

A manifestação dos bispos promove uma união entre diferentes igrejas contra a proposta que regulamenta as apostas esportivas e os jogos no Brasil. Foco de grande debate entre os parlamentares, o Marco Regulatório dos Jogos no Brasil deve entrar na pauta de votação da Câmara dos Deputados neste mês. Pelo menos essa é a intenção do presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL).

O grande entrave da aprovação do Marco Regulatório dos Jogos tem sido a Frente Parlamentar Evangélica na Câmara dos Deputados, liderada pelo deputado Cezinha de Madureira, do PSD-SP. O grupo é bastante contrário à regulamentação e pretende brigar para que esse projeto não seja aprovado.

Confira a nota da CNBB na íntegra:

 

NOTA DA CNBB CONTRA A LEGALIZAÇÃO DOS JOGOS DE AZAR NO BRASIL

 

Uma árvore má não pode dar frutos bons (cf. Mt 7,18)

 

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, através de sua Presidência, acompanhou perplexa, no apagar das luzes do ano de 2021, a aprovação na Câmara de Deputados do requerimento nº 5.358/16, que assinala como urgente a apreciação do Projeto de Lei 442/91. Esse nefasto ato acelerou o caminho para regulamentar, logo nas primeiras sessões do ano 2022, a exploração de jogos de azar no país. Nesse período os parlamentares ainda estarão deliberando de maneira virtual, o que na prática limita o debate, camufla as posições e facilita as artimanhas regimentais. Diante desse lamentável fato, a CNBB reitera a sua inegociável posição contra a legalização dos jogos de azar no Brasil.

 

Os argumentos de que esta liberação aumentará a arrecadação de impostos, favorecerá a criação de postos de trabalho e contribuirá para tirar o Brasil da atual crise econômica, seguem a repudiante tese de que os fins justificam os meios. Esses falsos argumentos não consideram a possibilidade de associação dos jogos de azar com a lavagem de dinheiro e o crime organizado. Diversas instituições de Estado têm alertado que os cassinos podem facilmente transformar-se em instrumentos para que recursos provenientes de atividades criminosas assumam o aspecto de lucros e receitas legítimas.

 

Cabe-nos, por razões éticas e evangélicas, alertar que o jogo de azar traz consigo irreparáveis prejuízos morais, sociais e, particularmente, familiares. Além disso, o jogo compulsivo é considerado uma patologia no Código Internacional de Doenças da Organização Mundial de Saúde. O sistema altamente lucrativo dos jogos de azar tem sua face mais perversa na pessoa que sofre dessa compulsão. Por motivos patológicos, esta pessoa acaba por desprezar a própria vida, desperdiçar seus bens e de seus familiares, destruindo assim sua família. Enquanto isso, as organizações que têm o jogo como negócio prosperam e seus proprietários se tornam cada vez mais ricos. A autorização do jogo não o tornará bom e honesto. Nosso país não precisa disso!

 

A CNBB conclama o Congresso Nacional a rejeitar este projeto e qualquer outra iniciativa que pretenda regularizar os jogos de azar no Brasil. O voto favorável ao jogo será, na prática, um voto de desprezo pela vida, pela família e seus valores fundamentais. Particularmente neste ano eleitoral, a CNBB assume o compromisso de acompanhar atentamente essa tramitação e divulgar amplamente o nome dos parlamentares que escolherem deixar suas digitais nessa delituosa afronta ao povo brasileiro.

 

Inspirados pela voz profética de Maria, Mãe de Jesus, Nossa Senhora Aparecida, e sob sua proteção, se continuará a labuta da construção do Brasil justo, honesto e honrado!

 

Walmor Oliveira de Azevedo

 

Arcebispo de Belo Horizonte, MG

 

Presidente

 

Jaime Spengler

 

Arcebispo de Porto Alegre, RS

 

1º Vice-Presidente

 

Mário Antônio da Silva

 

Bispo de Roraima, RR

 

2º Vice-Presidente

 

Joel Portella Amado

 

Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, RJ

 

Secretário-Geral

 

Igrejas estão pressionando

 

É nítido que as igrejas estão acelerando o processo de pressão social em cima dos parlamentares à medida que a votação do Marco Regulatório dos Jogos no Brasil se aproxima. O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, tem urgência e quer votar a proposta ainda neste mês de fevereiro.

 

A posição das igrejas é tão contrária que estamos vendo uma rara união entre a Igreja Católica e as Igrejas Evangélicas em prol de um mesmo objetivo. E se a Igreja Católica pressiona de fora, as Igrejas Evangélicas pressionam de dentro do Congresso Nacional.

 

A Frente Parlamentar Evangélica na Câmara dos Deputados, por exemplo, já começou a se movimentar na tentativa de adiar a votação prevista para este mês. Com o avanço da Covid-19, por meio da variante omicron, as sessões do Congresso Nacional estão acontecendo de forma remota, e o argumento utilizado pela bancada evangélica é que os jogos são um tema delicado e que só deve ser debatido após a volta das sessões presenciais.

 

Sérgio Ricardo Jr

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