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Federações nordestinas investem na educação contra manipulação de resultados
sex 22 dez/23

Federações nordestinas investem na educação contra manipulação de resultados


As nove federações de futebol do Nordeste uniram forças em uma medida proativa para tentar combater a manipulação de resultados nas competições que envolvam clubes da região. Em um acordo conjunto, as federações estabeleceram parceria com a Sportradar, renomada empresa especializada em soluções tecnológicas para a integridade esportiva, que vai fornecer acesso a uma plataforma educacional online para atletas que atuam em clubes nordestinos. A ideia é explicar o que é a manipulação de resultado e ensinar os jogadores sobre as regras e consequências para quem comete irregularidades desse tipo.

No ambiente virtual desenvolvido pela empresa especializada, jogadores e comissões técnicas tanto do futebol de base quanto do futebol profissional terão acesso a uma série de vídeos e treinamentos abrangendo tópicos cruciais, tais como o que envolve a manipulação de resultados, o funcionamento do mercado de apostas, as relações com o crime organizado, as táticas dos manipuladores, as regras pertinentes no Brasil e na FIFA acerca de apostas, e as severas consequências para aqueles que incorrerem em irregularidades.

O foco primordial dessa iniciativa é preparar os times nordestinos que participarão da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2024, oferecendo-lhes um treinamento abrangente e fundamentado. Esta ação ganha relevância diante dos relatos, como o do Zumbi, de Alagoas, que enfrentou propostas de manipulação na última edição da Copinha, conforme destacou o presidente da Federação Alagoana de Futebol, Felipe Feijó.

“Fomos alvos recorrentes de grupos que tentaram manipular resultados, da primeira divisão até as competições de base. Não tem muita diferença no Nordeste: quem faz isso em Alagoas depois vai para outro estado. Os problemas são comuns a todos. Os atletas não têm conhecimento algum das consequências disso. Vamos começar por aí, tentando educar, para evitar punições”, disse Feijó.

Acompanhamento

A responsabilidade de repassar a ferramenta aos clubes será das federações, que também terão a capacidade de monitorar o progresso das equipes na implementação desses treinamentos aos seus funcionários, verificando quem está efetivamente engajado na plataforma. Os conteúdos educacionais exigem que usuários respondam um questionário ao final do treinamento, para que só assim recebam posteriormente um certificado de conclusão da atividade. A ideia é que todos realmente se dediquem aos conteúdos.

Se um jogador de alto nível, de Série A, foi convencido a isso (manipular), imagina descendo o nível, para atletas da Copinha, que não recebem salário e têm poucas chances de virarem profissionais? Quanto mais descemos na pirâmide, mais eles são suscetíveis. Quem aceita está quebrando um princípio fundamental do jogo”, comentou Feijó.

É crucial destacar que a participação em atividades de manipulação de resultados não acarreta apenas em punições esportivas, mas também em consequências negativas significativas. Os atletas podem ter suas fichas criminais afetadas, além de estarem sujeitos a ameaças e chantagens. O Brasil, segundo o relatório anual de integridade da Sportradar, encerrou o ano passado liderando o ranking de países com o maior número de jogos suspeitos de manipulação de resultados em todo o mundo.

Insistir na educação

No cenário do futebol brasileiro, especialmente nos Campeonatos Estaduais e na emblemática Copa São Paulo de Futebol Júnior, temos testemunhado, ano após ano, a sombra incômoda da manipulação de resultados pairando sobre as competições. O recente acordo entre as federações do Nordeste e a Sportradar pode parecer uma medida paliativa, mas a educação segue sendo um caminho necessário para tentar caminhar em direção à solução desse problema.

Como sempre temos abordado aqui na Casa do Apostador, a falta de consciência sobre as consequências da manipulação de resultados por parte dos atletas, especialmente os mais jovens, torna esse tipo de programa de ação educacional não apenas necessário, mas também urgente. Pode parecer até uma bobagem para certas pessoas, mas algo simples assim pode realmente evitar problemas e salvar a carreira de muitos atletas, principalmente os menos instruídos.

A Copa São Paulo de Futebol Júnior, em particular, serve como vitrine para jovens talentos, sendo uma oportunidade deles mostrarem o seu potencial para o mundo. Infelizmente, a crescente incidência de propostas de manipulação nesses torneios ameaça corroer a integridade da competição como um todo. Particularmente, já ouvi inúmeros relatos de pessoas que não acompanharão a Copinha no próximo ano justamente por terem perdido a confiança na competição. E o mesmo serve para os estaduais. Certamente, esse sentimento deve ser compartilhado por mais pessoas, algo que não é nada positivo para o futuro do futebol brasileiro.

Nos últimos meses, estivemos muito preocupados em acompanhar as operações policiais a respeito dos casos de manipulação que aconteceram no passado, algo que certamente é muito importante e um trabalho que deve ser continuado, visto que o buraco que o futebol brasileiro está em relação a ação de criminosos é muito fundo. Contudo, sempre vou ser a favor da ideia de que a punição não deve ser a primeira resposta a essas questões. Deve ser a última instância, empregada somente quando todas as outras opções de prevenção e educação foram esgotadas. Ainda creio que a educação pode ser um escudo eficaz contra a manipulação de resultados. E que não devemos desistir de tentar fazer esse tipo de abordagem funcionar.

 

Escrito por Sérgio Ricardo Jr

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