Dinheiro em Jogos ou Apostas: Como é Usado?
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Estudo revela que 76% dos internautas brasileiros utilizam dinheiro em jogos ou apostas
ter 17 out/23

Estudo revela que 76% dos internautas brasileiros utilizam dinheiro em jogos ou apostas


A crescente popularidade das apostas no Brasil é algo claro para quem acompanha a evolução desse nicho. Uma pesquisa recente, conduzida pelo Instituto QualiBest em colaboração com a ENV Media, ganhou destaque nas folhas do jornal Estadão. O estudo buscou entender os hábitos dos internautas brasileiros, e revelou um dado surpreendente: aproximadamente 76% dos usuários de internet do país têm em comum o fato de envolverem dinheiro em jogos de azar ou apostas esportivas.

O estudo apontou uma visão macro das preferências de jogo no Brasil. Dos 550 participantes, abrangendo diversas faixas etárias e classes sociais, a tradicional “loteria” continua sendo a forma mais popular de jogo entre os internautas brasileiros, seguida de perto pelas apostas esportivas e pelas raspadinhas. Organizadores da pesquisa, inclusive, expressaram surpresa com o crescente número de brasileiros envolvidos em apostas esportivas, destacando a tendência predominante entre a geração mais jovem. 

Confira abaixo, na íntegra, dados da pesquisa publicada pelo Estadão: 

Maioria dos internautas brasileiros faz apostas ou coloca dinheiro em jogos de azar

Cerca de 76% dos internautas brasileiros compartilham de um mesmo hábito: empregar dinheiro em jogos de azar ou apostas esportivas. É o que revela uma pesquisa enviada com exclusividade ao E-Investidor, feita pelo Instituto QualiBest, de pesquisas on-line, e a ENV Media, agência especializada na indústria de iGaming.

 O estudo on-line contou com a participação de 550 pessoas maiores de 18 anos, de todas as classes sociais e regiões do Brasil. Como resultado, foi possível aferir que a tradicional “loteria” continua sendo a modalidade mais popular (58%) de jogo.

 Na sequência, aparecem as apostas esportivas (33%), que apesar de serem um tema mais recente já ganham peso em adeptos, e raspadinhas (27%). Categorias como cassino e jogo de cartas, ficaram estatisticamente empatadas com fatias entre 15% e 17%.

 “Nós consideramos tudo, desde bolsas esportivas, caça-níqueis, jogo de cartas, cassinos, jogo do bicho, loteria, raspadinha”, afirma Fábia Silveira, gerente de planejamento e atendimento do QualiBest. A especialista se disse surpresa com a quantidade de brasileiros que afirmaram apostar esportivamente. 

Renda menor, gastos maiores

 Os usuários gastam em média R$ 58 por mês com os jogos segundo a pesquisa. Contudo, esse volume financeiro aumenta para R$ 80 nas classes A e B, formada por famílias que possuem rendimentos acima de R$ 10 mil, e na geração Y (adultos entre 29 e 41 anos), que é a que mais faz apostas esportivas (45%). Já os baby boomers (entre 59 e 78 anos) são os que menos jogam (20%). 

Em relação ao volume financeiro empregado, Silveira aponta para uma contradição. Apesar de os mais jovens terem um orçamento menor, são eles que gastam mais com os jogos de azar e apostas. “Sabemos que a concentração de renda é mais forte na geração X (entre 42 e 58 anos) e nos baby boomers. Posso dizer, com toda certeza, que isso está pesando no orçamento dos mais jovens”, diz. 

Tal fato também preocupa Tatiane Viana, educadora financeira, tutora e professora da Eu me banco. “Chama a atenção a quantidade de jovens buscando por ganhos rápidos com jogos, mas sabemos que isso não existe”, afirma a especialista. “Jogos (de azar e apostas) não são uma forma de renda.”

 Essa é também a visão de Hulisses Dias, analista CNPI e mestre em finanças pela Sorbonne. “O problema não são as apostas em si, mas o apostador criar a expectativa de fazer disso uma renda extra”, diz. “Apostas e jogos de azar são um excelente ‘investimento’ para as casas de aposta. Para um cidadão comum, devem ser vistos como nada mais do que um pequeno momento de descontração com amigos.”

 É saudável e seguro? 

De acordo com a pesquisa, a principal motivação para os entrevistados jogarem é a “emoção” da aposta. Cerca de 38% apostam on-line pelo menos uma vez por semana e outros 23%, quinzenalmente. Além disso, gastam em média mais de uma hora por semana nessa atividade.

 Mesmo fazendo parte da rotina, os internautas não souberam responder se a atividade é “segura e saudável”. “Os entrevistados ficam muito em cima do muro, não sabem dizer. Embora quem jogue fale que o principal motivador para o jogo é a emoção da aposta. Então, os componentes emocionais dentro desse universo são altíssimos”, aponta Silveira.

 Segundo Viana, os valores aplicados em apostas devem ser entendidos como parte dos “gastos variáveis”, que são gastos voltados ao entretenimento. O aconselhável é que o consumidor direcione no máximo 30% do orçamento disponível no mês para estas despesas com diversão.

 Um sinal de que a relação com os jogos não está saudável é quando o apostador não consegue se desvencilhar da rotina de apostas, comprometendo o orçamento. “Todos nós temos algum vício e ele não é de todo ruim, desde que gere algo positivo a longo prazo, o que não é o caso das apostas. O desafio de uma pessoa viciada em apostas é buscar substituir esse vício negativo por um positivo”, ressalta Dias, da Sorbonne. 

O peso do estudo

 O estudo divulgado pelo Estadão levanta questões importantes sobre a relação entre os brasileiros e o dinheiro. É crucial reconhecer que, embora as apostas esportivas possam ser encaradas como uma forma de investimento, a quantidade de pessoas que consegue transformar a sua relação com essa atividade em algo saudável é pequena. Portanto, compreender que quase 80% dos usuários de internet no país colocam dinheiro em apostas ou em jogos de azar é um tanto quanto alarmante.

Esse número talvez não fosse tão impactante se estivéssemos falando de um país com menos desigualdade social e com uma educação financeira vigente. O fato é que o Brasil está longe dessa métrica, e portanto passa a ser um dever de todas as pessoas sérias que fazem parte da comunidade iGaming do Brasil atuar de forma a conscientizar o seu público quanto aos riscos envolvidos tanto nos jogos de azar quanto nas apostas esportivas. E aqui destaco, mais uma vez, o papel feito por nós da equipe Aposta de Valor nesse sentido. Tanto aqui na Casa do Apostador quanto em todas as nossas outras redes sociais e canais de comunicação, sempre somos muito claros quanto ao ato de apostar e os riscos envolvidos nele.

Como alertado no texto, os pesquisadores se assustaram com o fato de que são os jovens que gastam mais com jogos e apostas, apesar de terem orçamentos menores. Esse é mais um ponto que aumenta o peso de nossa participação na comunidade. Ao falar sobre jogos e apostas, estamos impactando diretamente a vida de muitas pessoas que ainda estão no começo da sua trajetória de vida. Isso é algo muito forte e que precisa ser compreendido pelos influenciadores e criadores de conteúdo da comunidade. Infelizmente, ainda temos muitos nomes importantes da cena nacional que fazem pouco caso do seu próprio público.

A reflexão que pesquisas como essa revelada pelo Estadão nos traz é individual, mas também coletiva. Como sociedade, é importante promover uma mentalidade equilibrada em relação às apostas, mostrando que as pessoas podem desfrutar dessas atividades sem comprometer o seu bem-estar financeiro. Estamos prestes a ter uma regulamentação no país, e pouco foi discutido sobre os reais impactos de exploração dessa atividade por aqui. Basicamente todos os debates que vimos nesse sentido foram inúteis e revelaram que os nossos governantes têm um grau de desconhecimento sobre a pauta bastante elevado. Além disso, quase todos os apelos feitos pelas pessoas conscientes da comunidade entram por um ouvido e saem pelo outro dos legisladores brasileiros, o que torna tudo muito mais difícil.

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Escrito por Sérgio Ricardo Jr

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