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Artigo no jornal Valor Econômico tenta explicar crescimento das apostas no Brasil
ter 18 jan/22

Artigo no jornal Valor Econômico tenta explicar crescimento das apostas no Brasil


 O crescimento do setor de jogos e apostas esportivas tem sido cada vez mais uma grande pauta a ser discutida na imprensa brasileira. Podcasts, artigos, reportagens, livros, entrevistas e diversos outros tipos de produção jornalística tem se dedicado a dar luz a um tema que tem tomado conta do noticiário do país, principalmente por conta dos entraves que um projeto de lei que regulamenta essas atividades no Brasil enfrenta no Congresso Nacional.

Desta vez, foi um artigo escrito por Daniel Salles no jornal Valor Econômico que chamou a atenção. Por meio da coleta de dados, estatísticas e entrevistas com grandes empresários do setor, o escritor trouxe em seu espaço no jornal um debate interessante sobre os motivos que tem levado grandes empresas de apostas a investirem pesado no mercado brasileiro. 

Confira, na íntegra, o artigo veiculado no jornal:

 

Por que os sites de apostas estão investindo no Brasil?

 

O poderio ofensivo do Atlético Mineiro, que lhe deu os títulos de campeão estadual, brasileiro e da Copa do Brasil em 2021, foi motivo para comemoração também a milhares de quilômetros de Belo Horizonte. Cada um dos 136 gols da equipe liderada pelo atacante Hulk foi, indiretamente, também da Betano, site de apostas esportivas cujo logotipo está escancarado na parte da frente das camisas do time.

 Patrocinadora ainda do Fluminense e de clubes estrangeiros como Braga e Benfica, entre outros, a plataforma pertence a uma empresa de Malta, a Kaizen Gaming, hoje com sede administrativa em Atenas. Com operações em sete países – Grécia, Chipre, Romênia, Portugal, Alemanha, Chile e Brasil -, ela enxerga o mercado verde-amarelo como um dos mais promissores do mundo e espera cair na boca do povo brasileiro se associando ao futebol.

 Não é a única. Atualmente, 33 dos 40 principais clubes de futebol do país são patrocinados por sites do tipo. Em setembro, o Botafogo passou a exibir em suas camisetas a logomarca do costa-riquenho EstrelaBet, que ainda apoia o Coritiba e o Vila Nova. No mês seguinte, o Vasco fechou com o PixBet. Registrada em Curaçao, no Caribe, essa plataforma também destina suas verbas de marketing para a Ponte Preta, o Goiás, o Avaí, o América e o Juventude e tem como garoto-propaganda o narrador Galvão Bueno.

 Dos 20 times que jogaram a primeira divisão do Campeonato Brasileiro em 2021, 19 eram patrocinados por sites de apostas – a única exceção foi o Cuiabá. Apoiador de quatro clubes poderosos – São Paulo e Flamengo e os ingleses Arsenal e Southampton -, o Sportsbet.io, também de Curaçao, contratou como garoto-propaganda o ex-jogador Denílson, campeão do mundo com a seleção em 2002. Já o inglês Sportingbet, que pertence a uma companhia listada na bolsa de Londres, a Entain, engajou para uma campanha publicitária os campeões de MMA Lyoto Machida, Fabricio Werdum e Wanderlei Silva.

 Fora do Brasil, não faltam casos de patrocínios a clubes e eventos esportivos. Três times de futebol da Inglaterra – West Ham United, Leicester e Brighton & Hove Albion -, além da divisão de e-sports do Paris Saint-Germain, recebem verbas do Betway, de Malta, que ainda apoiou o Aberto de Tênis de Miami deste ano.

 Na terra da rainha, o segundo torneio mais importante de futebol leva o nome de um desses sites, o Sky Bet, do próprio Reino Unido. Lá, segundo a Universidade de Londres, anúncios de plataformas do gênero costumam ser vistos entre 70% e 90% do tempo de transmissão do “Match of the Day”, da BBC, o programa de futebol mais relevante do país.

 Hoje em dia, cerca de 450 sites do tipo atuam no Brasil. Os dez maiores, segundo o Ibope Monitor, investiram quase US$ 12 milhões em publicidade no país no primeiro semestre de 2020. No mesmo período do ano passado, essa cifra subiu para US$ 75,7 milhões.

 O salto se explica, em parte, pelo impacto do isolamento social na pandemia, que favoreceu as apostas esportivas on-line. Assim como as plataformas de streaming, elas viraram um dos principais passatempos para muitas pessoas desde que o novo coronavírus se espalhou pelo mundo. Estima-se que o setor tenha crescido, globalmente, cerca de 40% entre 2019 e 2020. Em 2020, de acordo com a Grand View Research, ele movimentou US$ 59,6 bilhões mundialmente. Com crescimento estimado de 10,1% a cada ano, em média, poderá chegar a US$ 127,3 bilhões em 2027.

 “No segmento esportivo brasileiro, mais de 30% dos investimentos em mídia hoje são feitos por empresas do ramo de apostas”, afirma André Gelfi, CEO e sócio da Betsson no Brasil. “Basicamente, todas elas estão se antecipando à regulamentação do segmento no país. É por isso que investem tanto em ‘awareness’ e construção de marca, prevendo vantagens competitivas.” Em Salvador, de acordo com um levantamento do Google, as buscas pelo assunto na internet aumentaram 130% nos últimos dois anos – a capital baiana é uma das 15 cidades mais interessadas em apostas esportivas do mundo.

 Elas foram autorizadas no Brasil por uma lei sancionada em 2018, durante a presidência de Michel Temer (MDB). Mas ficaram faltando as regras que licenciam a atividade, que, por força de lei, precisam ser definidas até outubro de 2022. É por isso que praticamente todas as empresas do segmento com operações voltadas para os brasileiros não estão formalmente enraizadas no Brasil – nada que a internet e as transações internacionais não contornem.

 “Em resumo, temos uma demanda nacional que é suprida por uma oferta internacional”, afirma Gelfi. “É muito fácil fazer uma aposta em sites de fora, quase todos com páginas em português. Só que com um mercado ‘offshore’, o Brasil deixa de tributar impostos, além de não fiscalizar o segmento.” Estima-se que o governo brasileiro, que promove apostas esportivas por meio da Loteria Federal, deixe de arrecadar R$ 500 milhões por ano graças à falta de regras para a atividade.

 Gelfi está à frente da única grande plataforma do ramo que dispõe de um CNPJ. “A regulamentação é iminente”, aposta ele. “Não é segredo: se a Betsson está no país é porque, com a perspectiva do licenciamento, enxerga o mercado brasileiro como um dos mais pujantes do mundo.” Segundo o executivo e outras fontes, as apostas esportivas já movimentam R$ 10 bilhões por ano no Brasil. “Nos anos seguintes à regulamentação, essa cifra deverá saltar para até R$ 100 bilhões por ano, e sou conhecido por ser conservador”, acrescenta ele.

 De origem sueca, a Betsson é dona de 20 marcas, de cassinos a sites de apostas. Desembarcou no Brasil em 2019 ao adquirir 75% do extinto site Suaposta, de 2016, do qual Gelfi é um dos fundadores. “Concluí que fazia mais sentido nos associarmos a um grande player para termos acesso a tecnologia, know-how e investimentos”, lembra ele. “Mesmo sem a regulamentação, já temos um mercado extremamente competitivo.” O Suaposta foi transformado no braço local da multinacional.

 No universo futebolístico, a companhia patrocina a seleção do Chile e o Íbis Sport Club, time de Pernambuco que é tido como o pior do mundo – ganhou fama por ficar 3 anos e 11 meses sem vencer nenhuma partida. A empresa também já apoiou o Milan e a Internazionale, a Copa América e as eliminatórias da Copa do Mundo.

 O site nacional da Betsson oferece atualmente somente apostas em corridas de cavalo ao vivo, legalizadas no Brasil desde 1988, e em um jogo de fantasia que se baseia em diversas ligas de futebol – esse tipo de entretenimento também já tem amparo legal. “Como qualquer negócio brasileiro, retemos e pagamos todos os impostos que nos cabem”, informa o CEO da Betsson no Brasil. Quando vier a regulamentação, a empresa também oferecerá apostas em outros esportes, como vôlei, tênis e companhia, já disponíveis no site internacional da empresa e nos da concorrência.

 Para se aventurar em qualquer um deles, basta cadastrar e-mail e senha e declarar que se trata de alguém com mais de 18 anos. As transações são feitas por cartão de crédito, boleto ou Pix. Via de regra, os internautas podem palpitar tanto em quem será o vencedor de cada partida quanto no resultado e em outros detalhes, como número de cartões, faltas e escanteios, no caso do futebol. A maioria dos sites também abre espaço para modalidades não tão populares como esqui cross country e xadrez e para o mundo dos eSports – o torneio de League of Legends é um dos que mais atraem lances.

 O sucesso desse universo é a razão de ser de diversas comunidades virtuais dedicadas a debater e prever resultados. Com mais de 80 funcionários, o Ortega Tips é uma espécie de clube para quem almeja aumentar as chances de êxito na hora de dar seus lances. “Já são seis meses de lucro para 14 mil pessoas, e nossa aceitação é de 96%”, informa Pedro Ortega, que capitaneia o negócio (sim, trata-se do ex-participante do reality show “De Férias com o Ex Brasil”, da MTV). Os planos oferecidos custam de R$ 120 a R$ 597 por mês e envolvem até análises a respeito de corridas de galgos.

 Para Alex Fonseca, country manager no Brasil da Kaizen Gaming, a que controla a Betano, a falta de regulamentação é um dos principais entraves para o crescimento das apostas esportivas no país. “O investimento massivo de grandes empresas do ramo depende de segurança jurídica e fiscal”, afirma. “Além de barrar a entrada de companhias internacionais, que poderiam gerar empregos formais no Brasil e aumentar o recolhimento de impostos, a falta de regulamentação favorece a atuação de operadores pequenos sem qualquer estrutura e deixa os apostadores suscetíveis a fraudes e vazamentos de dados, entre outras ameaças.”

 Um dos riscos mais evidentes é a manipulação de resultados, crime que o escândalo conhecido como “máfia do apito”, de 2005, tornou célebre. Naquele ano, 11 jogos do Campeonato Brasileiro apitados por Edilson Pereira de Carvalho foram anulados e disputados novamente – os resultados iniciais teriam ajudado certos apostadores, envolvidos no esquema, a lucrar.

 “A ausência de regras contribui negativamente”, resume Fonseca. “Em diversos países, nossa indústria é uma das maiores geradoras de emprego e renda. Já temos um enorme plano de expansão para o Brasil que envolve fortes investimentos em marketing. Também faz parte do nosso DNA o apoio a programas sociais. Contribuímos com instituições de caridade em todos os mercados nos quais atuamos.”

 Em setembro, o inglês Paul Merson, ex-jogador de futebol que atuou no Arsenal e na seleção do Reino Unido, expôs o lado mais sombrio das apostas esportivas. Hoje com 53 anos e ganhando a vida como comentarista, ele revelou ter se viciado nelas e perdido o equivalente a R$ 50 milhões, dinheiro que esperava gastar com a compra de uma casa para ele e a família. “Foram 36 anos de pura loucura”, declarou. “As pessoas falam: ‘Oh, você perdeu todo aquele dinheiro’. Mas o dinheiro é irrelevante. Você perde tempo. O tempo passa, e isso parte meu coração mais do que qualquer coisa.”

 Para evitar que os entusiastas pelas apostas se viciem nelas ou recorram a elas de maneira não saudável, a Betsson criou ferramentas que se valem da inteligência artificial para minimizar os riscos ao jogar. O usuário, por exemplo, pode escolher um período de 24 horas a seis meses para desativar sua conta e em nenhuma circunstância pode reativá-la no intervalo selecionado.

 A plataforma também interrompe o apostador para notificá-lo constantemente do tempo em que passou jogando – ele só consegue voltar a jogar se consentir com o aviso. Criou-se, ainda, um teste on-line para avaliar se o internauta desenvolveu algum problema com apostas. E os limites de depósito protegem todo mundo de gastar mais do que podem. Isso tudo, naturalmente, não serve de nada se o viciado em apostas migrar para outra plataforma. E nada o impede de fazer isso.

 A regulamentação em discussão não envolve os jogos de azar, proibidos no país desde 1946 por determinação do ex-presidente Eurico Gaspar Dutra (1883-1974) – ele cedeu aos apelos da mulher, Carmela Dutra (1884-1947), a dona Santinha, que via a jogatina como uma imoralidade. Coincidentemente, o Congresso voltou a se debruçar sobre a liberação dos cassinos, dos bingos e do jogo do bicho.

 A ideia nunca saiu do papel em razão da pressão contrária dos parlamentares evangélicos. Com a crise econômica provocada pela pandemia como pano de fundo, porém, parte dos congressistas acredita que é uma boa hora para colocar as cartas na mesa novamente.

 Segundo o Instituto do Jogo Legal, a legalização da jogatina poderia formalizar pelo menos 450 mil empregos e criaria outros 200 mil. Expectativa de arrecadação com a tributação dos jogos de azar: R$ 20 bilhões por ano, além de R$ 7 bilhões com outorgas de cassinos, bingos e caça-níqueis. “O movimento geral de apostas no Brasil gira em torno de R$ 71 bilhões por ano, e os jogos não regulados representam R$ 27 bilhões desse montante”, afirma Magnho José, que preside a entidade.

 Dos 50 estados americanos, 44 permitem o funcionamento dos cassinos. Somados, eles geram um impacto anual na economia dos Estados Unidos de US$ 261 bilhões, pelas contas da AGA, a associação do setor. Segundo a mesma entidade, o setor de apostas do país como um todo faturou US$ 43,6 bilhões em 2019, um recorde, e está prestes a superar essa cifra em 2021, após o esperado tombo do ano passado.

 “Dois trimestres consecutivos de receita recorde é uma conquista incrível em qualquer contexto e ainda mais depois do ano mais desafiador na história da indústria”, afirmou o presidente da AGA. Considerando só as apostas esportivas – as on-line só estão autorizadas em alguns estados, como Nova Jersey e Pensilvânia -, o setor faturou US$ 5,3 bilhões nos primeiros nove meses de 2021. Representa um aumento de mais de 200% em relação ao mesmo período no ano anterior.

 No país de Las Vegas, a Betsson desembarcou em junho de 2020, ao firmar um acordo com o Dostal Alley Casino, no Colorado. É o que lhe permitiu começar a lucrar com os lances on-line no país, tido como o mais promissor para os sites de apostas esportivas – o segundo é o Brasil. “Quando estados como Nova York e Flórida derem aval para elas, o segmento vai ultrapassar US$ 30 bilhões por ano”, acredita Gelfi.

 Números como esse despertaram o interesse de um player nada desprezível do setor do entretenimento, a Disney. Em setembro, o presidente-executivo da empresa, Bob Chapek, disse a investidores em uma conferência que a companhia planeja ser “agressiva” em relação à atuação no mercado de apostas esportivas. “Digamos que nossos fãs estão realmente interessados em apostas esportivas. E digamos que nossos parceiros tenham interesse em apostas esportivas”, afirmou Chapek. “Então, nós estamos interessados.”

Texto escrito por Daniel Salles no jornal Valor Econômico, de São Paulo.

Erros e acertos do artigo

O artigo escrito por Daniel Salles nas páginas do jornal Valor Econômico tem erros e acertos, mas se aproxima sim daquilo que considero como real para tentar explicar o crescimento da indústria das apostas e o que tem levado grandes empresas mundiais do setor a apostar cada vez mais nos negócios aqui no Brasil.

Apesar de conseguir resumir bem esse movimento, o artigo traz alguns dados sem fonte e que causam uma certa estranheza, além de adotar um tom preocupante para um tipo de texto explicativo que, em determinados momentos, causa a sensação de propaganda embutida para uma casa de apostas específica. Fora isso, cito apenas que talvez tenha faltado um pouco mais de pluralidade nas fontes consultadas para embasar a mensagem do texto.

Contudo, o destaque significativo que o autor traz ao afirmar que o mercado brasileiro é visto como promissor por essas grandes empresas, além da constatação de que 33 dos 40 principais clubes brasileiros (que atuam na Série A e B) são patrocinados por casas de apostas são uma verdade e mostram que o texto está realmente embasado de informações condizentes com aquilo que temos vivenciado durante esse período de expansão do mercado nos últimos meses.

O texto também oferece destaque para um movimento que sites e casas de apostas tem feito no Brasil que eu, particularmente, considero muito importante, que é a antecipação da regulamentação do mercado, tida como iminente por grande parte dos parlamentares brasileiros, mas que ainda enfrenta uma grande resistência dentro do Congresso Nacional. Sair na frente de uma corrida milionária pode ter as suas vantagens. E certamente é isso que as empresas estão buscando por aqui.

Sérgio Ricardo Jr.

 

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